Como a sua vida ativa pode ajudar a cidade?

Atualizado: Fev 10

Sou do interior e quando me mudei para São Paulo (pela segunda vez) fui morar na casa dos meus avós, que ficava a 20 minutos a pé de uma estação de metrô. Fazia esse trajeto diariamente. Ida e volta. Depois de alguns meses, fui dividir apartamento com algumas amigas e passei a morar a menos de 5 minutos de uma estação de metrô no centro da cidade. Que delícia! Só que não... O que aconteceu foi que depois de alguns meses engordei um pouco e estava incomodada com algo. Era falta de movimento. Nessa época, eu não ia para a academia, não corria no parque e meu exercício eram as caminhadas do dia a dia, principalmente aqueles 20 minutos até o metrô. Quando percebi que era isso que estava me fazendo falta, tomei a decisão, que muita gente achou maluca, de andar um pouco mais para pegar o metrô uma estação à frente. Quanta diferença isso fez! Caminhei mais, conheci ruas e lugares que, embora um pouco mais distantes, ainda eram próximos da minha casa.

Existe em mim um prazer imenso em caminhar, seja na rua ou no parque. Mas essa experiência de aumentar o trajeto apenas por conta do meu bem-estar me mostrou o quanto estar em movimento era importante e fazia diferença na minha qualidade de vida, principalmente porque boa parte do meu trabalho é feito enquanto estou sentada em frente ao computador. Essa história já tem mais de 10 anos e muita coisa aconteceu e se transformou na minha vida de lá pra cá. Mas o prazer de caminhar pela cidade continua...

A partir desta história pessoal, e aproveitando que estamos na Semana da Mobilidade Urbana, quero propor uma reflexão sobre como o movimento, que já tem um grande impacto na nossa vida, pode impactar a cidade. A Juliana Romantini, que com a Prática Integral estimula o movimento no cotidiano das pessoas e não apenas durante as aulas, explica que quando colocamos mais caminhada no nosso dia a dia (para ir ao trabalho ou ao mercado, buscar os filhos na escola etc) já temos um ganho enorme na saúde cardiovascular. “Ao fazermos mais coisas a pé, mantemos o coração em uma frequência cardíaca mais elevada que a de repouso, o que força o músculo cardíaco a ser mais forte, além de aumentar o gasto calórico total do dia, o que é bom para manutenção do peso. Uma saúde ativa reverbera em melhores índices de saúde e eleva todos os padrões de bem-estar”, diz.

Só estes benefícios já deveriam ser suficientes para que mais gente andasse a pé. Só que além das pessoas, a cidade também é beneficiada quando mais gente resolve caminhar. O impacto da vida ativa pode reverberar em uma cidade mais verde, menos poluída, com uma melhor infraestrutura para pedestres e, sim, mais segura. Segundo a escritora e ativista urbana Jane Jacobs, as calçadas e os espaços públicos desempenham papel fundamental para a manutenção da segurança nas cidades e aí reside o conceito de “olhos na rua” proposto por ela: quanto mais gente estiver olhando para as calçadas, mais os pedestres se sentirão seguros. E mais segurança vai levar mais gente para as ruas e isso se torna um círculo virtuoso.

Claro que precisa existir uma contrapartida do poder público e das empresas, que precisam prover uma cidade mais humana, sem muros tão altos, com o andar térreo dos edifícios abertos para o comércio, com calçadas bem feitas e uniformes, sinalização, áreas de descanso como os parklets, arborização de qualidade e por aí vai. Mas essa é uma relação multilateral e o nosso papel, enquanto pedestre, é andar cada vez mais, tomar todos os espaços da cidade e ainda aproveitar para fruir da beleza que ela pode oferecer. Porque, acreditem, São Paulo vista pela ótica dos pedestres tem uma beleza muito particular.


Que tal ser mais ativo, andar mais, melhorar a saúde e ainda ajudar a cidade a ser melhor para os pedestres? A Prática Integral pode te ajudar nisso.

#mobilidadeurbana #diamundialsemcarro #praticaintegral #caminhe


SER ATIVO É PRÁTICA INTEGRAL!












Maísa Infante, jornalista e produtora de conteúdo, editora do site Verde SP e praticante da Prática Integral.

crédito imagens: LENISSE PHOTOGRAFY | ADÉLIA DIAS FOTOGRAFIA

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